Teia do Desassossego


Imagine as possibilidades desta vida...

"O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação." Simone du Beauvoir

O presente é a única certeza que possuímos. Nem o passado, tampouco o futuro. Ainda assim mantemos nossa mente atrelada ao elemento temporal que não nos é tangível. Deixamos de viver o instante que nos é dado por estarmos presos àquilo que passou. Ou então, por medo das consequencias do futuro que sequer existe e, embora possa ser calculado e fundamentado pelo probabilismo, é sabido como incerto, por maior as chances prospectadas. A realidade é por demais complexa para ser compreendida e não a compreendemos. Não sabemos o que há por trás do plano chamado vida. Não sabemos o destino final. O que não nos dá razão para termos medo de viver, para nos esconder de nossos sonhos, desejos, nosso anseio pela liberdade de podermos sermos nós mesmos. Plenos, íntegros. Absolutamente entristecida percebo que a maior parte das pessoas não têm esta consciência, sequer sabem o significado desta palavra, nem se ela de fato se encontra no dicionário. "Consciência, s.f. Sentimento ou percepção do que se passa em nós, voz secreta da alma (...)" Voz secreta da alma. Alma fala, existe, pensa, sente? Alma É. A plenitude da alma. Todos têm a chance de serem plenos. Mas quantos têm a oportunidade de ouvir a voz de suas almas a lhes falar? E se a ouvíssemos, o que faríamos? Nada?

"De que serve ao homem conquistar o mundo inteiro se perder a alma?" Blaise Pascal

:: Postado por Wild Star às 20h26

" Um louco jamais faz senão realizar, à sua maneira, a condição humana." Sartre - O ser e o Nada

Psicotrópicos. Como saber se a tênue linha foi ultrapassada? Loucura. O que pode desencadear a perda da sanidade? Uma cena, uma fala mal interpretada, um nó na garganta, um sentimento reprimido, um amor não vivido. O que pode levar à loucura? Querer mergulhar dentro de si mesmo e nunca mais retornar. Se calar diante do mundo quando há tanto a se falar. Esquecer os sonhos, começados, caminhados. Deixá-los friamente, como se não mais houvesse amanhã. Ignorar a dor dilacerante que aperta, corrói, destrói, mas ainda assim, menor que a própria dor da descrença, da indiferença, do descaso com a própria vida. O que causa a insensatez permantente? A perda de si mesmo. Se olhar ao espelho e não mais se reconhecer. Ver apenas um vulto, uma lembrança longínqua de algo que existiu, acreditou, foi pleno, viveu. Um borrão refletido que não sabe ser, tampouco se entende diante do vidro prateado. A saudade que mata. A angústia da vida não vivida. Dor partida em milhares de pedaços, fragmentos espalhados, publicados, à espera de uma leitura imparcial, que entenda, compreenda ou salve essa pobre alma imortal, perdida. O que pode levar ao fim da vida? Respirar sem sentir, ver sem enxergar. Caminhar em círculos sem rumo. Estagnar por faltar coragem de seguir. Oprimir o que o coração sente, diz, pede. Perder-se de si mesmo. Viver friamente, calculadamente, de acordo com planos, projetos, metas, automaticamente. Alma adoecida, definha sem crer na cura, sem esperança de salvação, de perdão pela vida esquecida. Dor. Impotência diante da vida, dos fatos impostos, da falta de atitude.

Fenix. Renascer das cinzas e encontrar forças para lutar até a última partida. Visão de que ainda não se ultrapassou a linha, a tênue linha.

"A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela e ela ser pequena, é ser desiludido. Ter consciência dela e ela ser grande, é ser gênio." Fernando Pessoa

:: Postado por Wild Star às 21h59

"I can't take my mind off of you" Damien Rice

 

Há tempos não escrevo. Não porque não exista nada para ser dito, mas por pura falta de tempo.

Deixarei as palavras se jogarem, conforme queiram ser ditas.

Madrugada de sábado. 5hs da manhã. Trajes de fantasia. Festa deixada sem me despedir. Eu aqui a sentir sua falta. O que mais poderia fazer? Sinto, do fundo do meu ser que a única razão de ser é ser ao seu lado. SER. Mas como poderia lhe explicar ou provar o que digo? Como poderia lhe dizer que toda essa naturza artística só faz sentido quando estou ao seu lado? Pediu-me para jurar amor eterno.... Tão tolo! Acha necessário? Não sabe que nosso amor não precisa disto? Existimos além das convenções impostas pela sociedade. Queria dizer-lhe o que sinto. Às vezes não consigo. Mas eu lhe juro.

Há dias em que dói mais do que os outros. Não significa que vivi mais nesses dias. Mas sim que a saudade, avassaladora, arrebatou-me mais profundamente.

Encontrei você. O que fazer com essa informação? Fugir e esquecer? Como se fosse possível... Não. Não é o caminho.

Fim do Esporão.

Se dói ver-lhe e fingir que não o vejo? Sim. Muito. Gostaria de ter-lhe apresentado as pessoas que me acompanhavam. Quem sabe um dia.

Anjo meu. Tão frágil. Eu, anja sua, tampouco sei como agir.

 

I Remember – Damien Rice

 

I remember it well

The first time that I saw

Your head around the door

'Cause mine stopped working

 

I remember it well

There was wet in your hair

You were stood in the stairs

And time stopped moving

 

I want you here tonight

I want you here

'Cause I can't believe what I found

I want you here tonight

I want you here

Nothing is taking me down, down, down...

 

I remember it well

Taxied out of a storm

To watch you perform

And my ships were sailing

 

I remember it well

I was stood in your line

And your mouth, your mouth, your mouth...

 

I want you here tonight

I want you here

'Cause I can't believe what I found

I want you here tonight

I want you here

Nothing is taking me down, down, down...

 

Except you my love. Except you my love...

 

Come all ye lost

Dive into moss

I hope that my sanity covers the cost

To remove the stain of my love

Paper maché

 

Come all ye reborn

Blow off my horn

I'm driving real hard

This is love, this is porn

God will forgive me

But I, I whip myself with scorn, scorn

 

I wanna hear what you have to say about me

Hear if you're gonna live without me

I wanna hear what you want

I remember december

And I wanna hear what you have to say about me

Hear if you're gonna live without me

I wanna hear what you want

What the hell do you want?

:: Postado por Wild Star às 05h14

 

 

 

 

Tem certas coisas que eu não sei dizer....

 

 

 

 

 

 

 

:: Postado por Wild Star às 01h48

"Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, Penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem." José Saramago

Nascemos e choramos. Abrimos os olhos e exergamos. Vimos o mundo como ele realmente é quando a ele viemos. Sem películas, sem redomas, sem máscaras. Com o passar do tempo as luzes vão nos ofuscando a visão, aos poucos deixamos de enxergar. Olofotes. Informações inúteis jogadas em nossos dias. Focos desfocados. Imagens. Mensagens subliminares. Propagandas anúncios outdoors. Símbolos. Carros buzinas trânsito. Tempo tempo tempo. Falta de tempo. Listas de compras. Listas de sonhos. Desejados não realizados inúteis. Desejos. Filas. Consumo. Filas. Luzes na cidade iluminando nossos dias apagando nossa consciência. Dualidade do ser. Divisão. Confusão mental. Terapia. Choro contido. O homem feliz não sofre. Zen. Busca pelo equilíbrio em day spas. Álcool pra relaxar. Stilnox pra dormir. Café pra acordar. Corre corre corre. Não há tempo. Tem pressa sempre atrasado. Tempo tempo tempo. Falta de tempo. O dia deveria ter 36 horas, pra se fazer tudo, se fazer mais, trabalhar mais, se divertir mais, consumir mais o tempo. Não ter tempo pra enxergar. Luzes na cidade. Menos. Escuridão. Tempo consumado. Vida consumida. Perda de tempo. Querem que não enxerguemos, querem que vivamos cegos. Quem "querem"? Não existe essa entidade absoluta e invisível que comanda nossas vidas. Somos nós mesmos que optamos por não enxergar. As luzes atrapalham, mas não cegam. Nós mesmos optamos por viver na escuridão a enxergamos criticamente o mundo tal como está. Somos responsáveis pelos nossos atos. O caos na cidade. Olhos perdidos sofridos. Prédios mais prédios, grudados uns aos outros, abarrotados de pessoas desconhecidas entre si que convivem e se evitam. O ser humano não se suporta e então foge de si mesmo, mas também não suporta o outro, vive relações superficiais, sem querer conhecê-lo a fundo, nem sequer conhece a si próprio. Construir é difícil, leva tempo, paciência, cuidado, zêlo, amor. O amor está em falta. Para que a construção não deteriore é preciso cuidar dela todos os dias. É mais fácil destruir. Destruir-se. Destruir o outro, destruir relações, destruir o planeta. Não há tempo para construções. A nação do fast food, fast jobs, fast relationships, fast life. Otimização do tempo, este é o lema. A vida passa e ninguém percebe. A vida não deve ser dolorosa, deve ser real. Há tempo para mudanças. Há tempo para nos conhecermos, para conhecermos o outro. Há tempo para amar e se relacionar. Há tempo para acreditar e ter esperanças. Apaguem as luzes, abram os olhos e exerguem. O tempo não está em falta, mas ele acaba.

"Devemos nos tornar aquilo que desejamos ver." Ghandi

:: Postado por Wild Star às 00h18

"A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente." Albert Einstein

 

O que é real? Aquilo que é palpável, visível? Conceito falho, ainda mais se levarmos em conta que podemos ser enganados pelas nossas mentes. Indo além, aquilo que é real para mim pode não ser real para o outro por que somos distintos, o que nos leva a percepções diferentes do mundo. E então, não importa o quanto tentemos nos socializar, seremos sempre solitários, pois cada um carrega sua própria realidade, ainda que nos esforcemos para vivermos em sociedade através de comunidades, grupos, família. Certamente pouquíssimas pessoas param pra pensar nisto, pois, ao constatar este fato, assumimos o ápice da solidão. Viver é um caminho solitário, ainda que busquemos companhias no meio do caminho. E, podemos cruzar com as mais interessantes pessoas ao longo do dia, ter as conversas mais filosóficas, ao final da noite, quando deitamos a cabeça em nossos travesseiros e fechamos nossos olhos, somos nós com nós mesmos, não há como escapar. Estar consigo mesmo é uma dádiva (ainda que muitos discordem), encontrar em si mesmo sua melhor companhia, debater consigo próprio seus ideiais; mas juntamente com estes, surgem seus maiores fantasmas, suas maiores angústias e encará-los sem titubear é tarefa árdua. Talvez por isto grande parte das pessoas busque subterfúgios para se esconderem de si mesmas. Conversas superficiais estão à venda em qualquer bar da esquina e, caso não seja uma pessoa sociável, à farmácia encontrará, por míseros reais, cápsulas de felicidade que ajudem a fugir da realidade. É mais fácil. Difícil é encarar a dor de se saber humano, aflito, perdido, sem saber se está caminhando para o lado certo, sem saber se um dia encontrará alguma resposta, sem saber se de fato isto que vive acontece ou não. Sofrer por caminhar à eterna espera de encontrar alguém que pense o mesmo, que seja inquieto tanto quanto, que esteja ao menos caminhando na mesma estrada e no mesmo rumo, disposto a compartilhar a jornada, pois assim, o mundo pareceria menos insano, mais humano, mais real. Difícil definir a sua própria realidade quando ninguém a compreende e, ainda que não precise da aprovação dos demais para vivê-la, a própria sanidade chega a ser questionável algumas vezes. Não é simples se defender como certo, quando as únicas vozes que ouve além da sua são os ecos.

 

"Nos escritos de um eremita se ouve também um quê do eco do deserto, um quê do que é próprio da solidão." Nietzsche

:: Postado por Wild Star às 23h54

"Todos vós, que amais o trabalho desenfreado (...), o vosso labor é maldição e desejo de esquecerdes quem sois." Nietzsche

Seis horas. Fim de tarde. Sobre minha mesa pilhas de processos espalhados. Uma visão do caos corporativo. A burocratização que não leva a lugar algum. Em um retângulo que rabisquei faço linhas horizontais com espaços entre si milimetricamente calculados pelo olhar. Linhas finitas que não se cruzam, apenas ligam um lado ao outro, sem o menor objetivo, como os minutos que passo aqui. Mantenho a pose séria. Vez ou outra abro um processo, faço uma feição de dúvida. Percebo que meu vício de expressões carregadas e desnecesárias vem desta profissão onde a todos preciso enganar. Já não suporto me enganar. Números surgem em minha mente. Números? Preocupante. Nunca me dei bem com os números. Resolvo tomá-los por pressentimento e desço para jogar. Caminho no quarteirão para espairecer minha mente inquieta. Volto. Dispersa ouço o teclado dos computadores à minha volta. A voz do meu chefe me chama. Peço um minuto para que pense que estou ocupada. Faço mais algumas linhas no retângulo, escrevo um verso. Vou até sua sala e me sento à sua frente. Com um tom aveludado, ele fala pausadamente, sem pressa. Imagino que tantas palavras façam algum sentido, para mim, por alguma razão não fazem. Não sei dizer ao certo se por estar deixando meu lado direito se sobrepor ao lado esquerdo, ou se por ter adotado a audição seletiva. Aproveito estes momentos para deixar meu pensamento livre. Meu olhar fica profundo. Começo a analisar aquele homem que me fala. Será que ele acredita nisso tudo? Será que ele é feliz? Procuro alguma pista em sua sala. Livros papéis, fotos de família. Família. Certamente ele nos vê mais do que a própria família. No canto superior esquerdo de sua mesa uma lista: 'ingressos concerto', 'tacos novos golf', 'anel Gabriela', 'dvd jazz', 'curso megulho', 'ligar mãe'. Ligar mãe. Que tipo de lista é esta? Disseram certa vez que ele fora um sonhador. O que teria acontecido para terminar em uma instituição como esta? Que tipo de espécie os seres humanos estão se tornando? A desilusão da vida os tem feito desistir? Aposentam seus corações e os substituem por relógios de corda que marcam as horas à espera do destino final. Meus pensamentos são interrompidos "É isto. Você consegue terminar para amanhã?". Prontamente respondo "Claro". Volto para minha mesa. Sete e meia. As pessoas começam a ir embora. Meu expediente terminou uma hora e meia atrás. Nas corporações não se vai embora no horário, é mal visto. Começo a organizar os papéis para amanhã desarrumá-los novamente. Desconfio que não consiguirei enganar-me por muito mais tempo.

"Os ignorantes julgam a interioridade a partir da exterioridade." Giovani Boccaccio

:: Postado por Wild Star às 09h25

"Conheceram logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara estava pregada à cara." Fernando Pessoa

Mesma frase, mesma situação. Mais uma vez mostro ao mundo quem eu não sou. Por quê? Medo. Para me proteger. Não sei. Coloco a máscara da louca, desprendida, peter pan. Tenho medo de crescer sim, mas não sou a desencanada que demonstro. E meus atos não tem tido absolutamente nenhuma relação com o que sinto, com o que sou. Só eu que me prejudico com isso. Não consigo demonstrar o que está aqui dentro. Não consigo dizer o que quero e tomam-me logo por outra pessoa. Como posso querer que me dêem o devido valor se nem sabem o valor que tenho? Caiu a ficha de como tenho sido estúpida comigo mesma. Foi bom. Um tombo na hora dói, talvez ainda doa por um tempo, mas ao menos me serviu pra enxergar a realidade. Eu não sou menina fútil, nem superficial. Sou romântica, sentimental, sensível. Com certeza alguns duvidariam disso, mas não me importo. Meu dever agora é meu comigo mesma. Ser eu mesma para ser feliz. Encerro essa fase com um ponto final.

"O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu." Fernando Pessoa

:: Postado por Wild Star às 16h21

"Todos nós nascemos loucos. Alguns de nós permanecem." Beckett

Estado de loucura. A loucura é um excesso de espírito. Cada um de nós é um universo pensante, distintos, com todos os sentidos, sentimentos, emoções orbitando. Um universo que só nós conhecemos e do qual só nós podemos participar e assim criar a nós mesmos. Cada um de nós tem a sua realidade interior. A música é o som divino primitivo, que nos remete às nossas origens. A música, como a loucura, transcende todo e qualquer limite, é infinita, como nossos "Eus". A música surge como um chamado do universo interior, brota como um reflexo do nosso Eu querendo se comunicar e ser compreendido. Primeiro vem o silêncio, conectamo-nos a nós mesmos, transpomo-nos solitários para nosso universo paralelo, onde encontramos nossa própria melodia, nossa voz harmônica com nosso estado de espírito. Encontramo-nos. A música do silêncio interno. Depois vêm a música da paisagem sonora, do outro, os ruídos do cotidiano, que se mesclam unindo as realidades internas e externas interagindo mundos que transcendem espaço e tempo. Conectamos um com o outro, numa busca desesperada de identificação, de nos sentir pertencentes a algum lugar em comum, de encontrar uma intersecção de realidades, a fim de não sermos loucos únicos, ainda que nos saibamos solitários. Buscamos a intimidade e a distância, pois ambas são necessárias. Chegamos a um paradoxo. Precisamos manter nossa individualidade, rompemos. Ao mesmo tempo comungamo-nos com a coletividade, dividindo nossa mais profunda loucura, enlouquecemo-nos. Vemo-nos pelos olhos do outro, a imagem que temos de nós mesmos é a imagem refletida no espelho do olhar do outro. Talvez os loucos sejam um grupo seleto de pessoas privilegiadas que se conectam, incompreendidos, numa condição de passageiros eternos, sem destino e de origem ignorada.

"True! - nervous - very, very dreadfully nervous I had been and am; but why will you say that I am mad? The disease had sharpened my senses - not destroyed - not dulled them. Above all was the sense of hearing acute. I heard all things in the heaven and in the earth. I heard many things in hell. How, then, am I mad? Hearken! And
observe how healthily - how calmly I can tell you the whole story." Edgar Allan Poe

:: Postado por Wild Star às 14h52

"Eu sou aquela que tomam, depois cortam, mas por um momento eu estive ali, no olho do visor. Existi. Sei que pertenço ao público e ao mundo todo, não por causa do meu talento, nem mesmo de minha beleza, mas porque nunca pertenci a nada, nem a ninguém. Quando não se pertence a nada, a ninguém, como não pensar: pertenço a quem me quiser!" M.M.

Quem disse que não quero ser amada? Quem disse que não quero ser protegida? Vejo-me uma pequena criança órfã e solitária sempre em busca de sobreviver neste mundo frio. Perdida, sem lar, sem amor. Mas apesar de todas as adversidades meu coração não perdeu a ternura, nem a doçura, nem as esperanças. E sofre. Que mulher não gostaria de ser abraçada e se sentir protegida em braços amados? Se sentir segura? Cansei de ser só. Cansei de vestir a máscara da fortaleza. Também preciso de cuidados. Também tenho sentimentos. Sou frágil.

Um dia Deus olhou para a Terra e viu sofrimento, dor, choro, mágoa, angústia. Viu seres humanos perdidos, sozinhos, sem rumo. Ao seu lado havia um anjo, cuidando de seu jardim. Refletiu sete dias, olhou para o anjo e disse "Vai Kraliha ser anjo na Terra". E assim nasceu. Aqui teve um nome pronunciável. Começou como todos, foi pequenina também. Mas como anjo, não teria o direito de ser criança. Aprendeu desde cedo que as pessoas sofrem. Não importa se a dor é suportável ou não, ninguém deixará suas vidas para socorrer o outro. Ainda pequena descobriu a dor do abandono. Anjos sem asas, quando anjos no céu, não conhecem as aflições e sentimentos humanos. Por isto, Deus em sua infinita sabedoria, colocou-a em contato com o que há de mais triste para o homem, a perda, a solidão, a incompreensão, a não valorização, o descaso, o abandono. Anjos têm uma alma diferente, pura, vêem o mundo com olhos de anjos. Querem trazer paz e não são compreendidos. Um anjo sem asas precisa ser muito mais forte para ser útil. Para existir precisou conviver com a mais ínfima miserabilidade humana. Aprendeu que o ser humano é individualista, que começou uma guerra pelo seu próprio bem estar, travada com qualquer um que esteja próximo e ameace hipoteticamente o seu espaço. Descobriu que não importa o quanto se esforce, raramente darão valor aos seus sacrifícios e tudo será visto como mera obrigação. Um anjo não pode se dar ao luxo de pensar em si mesmo, em seus sentimentos, anjos não podem ousar sentir. Imaginem então como é confuso para um anjo sem asas se adaptar a esta nova forma de vida. Anjos têm missões, não importa quão difícil seja cumpri-las, quão doloroso seja estar perto de alguém para salvá-lo, assim deve fazê-lo. Um anjo não poderia se apaixonar, mas se apaixona. Ser anjo não é uma tarefa fácil. Por que então não desistira de ser anjo? Não se pode deixar de ser quem se é. É difícil entender os seres humanos, conviver com os mesmos sentimentos que eles têm, quando se é de uma natureza tão diferente.

" (...) Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco. (...)" Drummond

:: Postado por Wild Star às 15h24

"O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação." Simone de Beauvoir

Bethel, 16 de agosto de 1969

Querido Tom,

A vida é feita de escolhas e a vida é agora. Nem ontem, nem amanhã, mas neste momento. E se é assim, devemos ser seletivos com nossas escolhas de acordo com aquilo que nos faz bem, porque a felicidade não existe, senão neste momento. Não me venha com promessas para o futuro, pois quem me garante que o amanhã existirá, querido amigo? Não me conte seu passado, pois ele já não existe mais. Viva intensamente o seu presente, meu querido, cada segundo, como se fosse o último, pois é tudo o que temos de concreto. Eu gosto de viver a vida, por isso VIVO, canto, danço, brinco. Não me importo com o que os outros pensem ou digam ao meu respeito, pois eles não estão dentro de mim, não são eu. Entenda que não prego aqui a irresponsabilidade, pois esta não nos faz bem. Penso que o limite é aquilo que nos prejudica e prejudica o próximo. Quero o máximo que a vida pode me dar. De que adianta uma vida eterna sem viver o que há de melhor nela? Sim, sei o que dirão: "É loucura viver nos extremos, devemos buscar o equilíbrio". O lado ruim dos altos e baixos são os baixos; o lado ruim do equilíbrio é nunca conhecer os altos. Prefiro partir tendo conhecido todos os altos. Porque a vida é feita de emoções, de alegrias, de tristezas. Como saber se é feliz, se nunca foi infeliz? Por isso, cuida das suas escolhas, elas refletirão o momento em que está agora. No mais, meu querido, Carpe Diem, o resto é ilusão.

Beijos da sua sempre querida,

Bel

"Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado já o não tenho." Fernando Pessoa

:: Postado por Wild Star às 18h12

"Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que foram, vamos ficando sozinhos uns dos outros." Mário Quintana
 
Eu nunca me senti tão só.
 
Sempre achei que crescer era um processo natural da vida. Talvez seja. Mas vejo que cresci rápido demais. Então, pela primeira vez sinto-me menina e muito desamparada, com muito medo, perdida. Sinto-me órfã sem o ser. Acho que vivi o processo inverso. Quero colo, quero sentir-me protegida, quero que passem a mão na minha cabeça e me digam que tudo vai ficar bem, não importa o que aconteça, pois não estou só. Sinto como se existisse apenas eu no mundo. Sinto-me invisível, intocável, incompreendida. Não sentem minha angústia, não sentem meu medo, meu desatino. Uma estrangeira recém chegada em uma terra desconhecida e inabitada.
 
Está cada vez mais difícil viver esta vida dupla. As horas frias intermináveis estão me sufocando. Tenho vontade de gritar, despir-me com os dentes, ficar nua e dizer ao mundo: "Esta sou eu". Gostem ou não, pouco me importa. Mas vejo que me importa sim. Estou sempre buscando por aprovação, apoio, justamente para tentar não me sentir desamparada, para me sentir amada. Mas ninguém pode viver minha vida, não é mesmo? Ninguém pode me garantir que tudo ficará bem, que estou seguindo o caminho certo. Ninguém pode sequer garantir que não estarei eternamente só.
 
Nunca quis ser gente grande. Os adultos são tristes. Alguns sabem disto, outros não. Se pudesse, viveria na Terra do Nunca. Coloquei a máscara de responsável, séria, perante todos. E agora, tento tirá-la, mas como por maldição, ela insiste em ficar. Esta não sou eu.
 
Sou uma criança em corpo de adulto. Nunca doeu tanto ser eu.
 
"Ser adulto é estar sozinho." Jean Rostand

:: Postado por Wild Star às 23h24

"É então um mundo de fórmulas a que eu obedeço e tu obedeces? Sem ele não poderíamos existir. Se víssemos o que está por trás não podíamos existir. O nosso mundo não é real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. Não temos outro. É a voz dos mortos insistentes que teima e se nos impõe. Mais fundo: não existem senão sons repercutidos. Decerto não passamos de ecos." Raúl Brandão 

Viver às vezes é muito difícil, estar vivo neste espaço, nesta era, nestas condições. Por natureza somos espíritos livres, instintivos. Ao mesmo tempo vivemos um cárcere consentido, criamos nossas grades, nossas limitações, nossas regras. Não entendo este regulamento. Na realidade não entendo o propósito disto tudo. Parece-me tão burocrático, tão organizadamente confuso, como se a única razão fosse fazer com que o sistema funcione perfeitamente sem que as pessoas precisem se perguntar o porque ele funciona desta meneira, ou, o porquê ele existe. Complexo parece, bem sei, mas tente se colocar do lado de fora. Observe o mundo de uma janela e tente criar uma lógica no viver dos seres humanos. Tente entender suas vidas, seu dia-a-dia. Saia de dentro de você e se observe, vê alguma lógica nisto tudo? Não existe. Como bonecos pré-moldados executamos perfeitamente nossas funções. Nesta selva de pedras sobrevive o mais forte e é esta a lei que predomina. O mais forte não sofre, não sente, não tem crises, não tem dúvidas. Olho por uma janela e vejo um mundo surreal. Um rabisco mal feito daquilo que as pessoas chamam de vida, de cotidiano. As pessoas não buscam conhecer a si mesmas, não buscam conhecer o outro. São egoístas, vivem para suas vidas medíocres que não as leva a lugar algum, por mais que não entendam isto. Têm medo de se relacionar, medo de se arriscar, medo do diferente, medo do desconhecido. Iludem-se acreditando que têm o controle de suas vidas quando na realidade não sabem que o controle não existe. Nada, absolutamente nada está em nossas mãos. Um simples efeito da natureza pode destruir todos os seus planos, suas vidas, sem deixar nada para trás. Mas isto parece muito improvável, então não pensam, pois ao não pensarem não sofrem. Vivem perfeitamente todos os dias de suas vidas sem se perguntarem o porquê, sem se questionarem para onde estão indo, se tentarem entender o porquê estão aqui. E isto não as incomoda. Se perguntas não têm respostas porquê fazê-las afinal? Não entendo as regras, não porque não seja racional, apenas por não ser 100% racional. Meu lado sentimental é inquieto e sente que alguma coisa neste mundo está errada, muito errada, caso contrário não estaríamos todos tão perdidos. Ninguém sabe o que quer da sua vida. Sentem-se perdidos, desamparados, como se estivessem só em um universo paralelo. Sentem um vazio imenso. Podem ter tudo, fama, amigos, amores, dinheiro, status, mas alguma coisa está faltando não é mesmo? E não sabemos o que é. Desta forma continuamos à eterna procura. Compramos, compramos muito, tudo, tudo o que vemos pela frente. Por que somos consumistas? Não só. Principalmente porque acreditamos que em algum lugar deve estar aquilo de que precisamos, aquilo do que sentimos falta. Aprendemos que neste mundo tudo está à venda. Esqueceram de nos ensinar que nem tudo. Há respostas para dúvidas, para inseguranças que ninguém pode nos dar, ninguém pode vender. Então nos sentimos pequenos, impotentes, na eterna esperança de preencher esse buraco crônico que trazemos em nossa alma. Temos vontade de largar tudo, ir em busca disto que falta, deste elemento precioso que nos dará a vida, mas ficamos estagnados não é mesmo? Temos medo de partir só, de ficarmos só, de não nos acompanharem. Temos medo de no fim só sobramos nós mesmos e nossos fantasmas angustiados cheios de medos e inseguranças. Há quanto tempo dizemos que vamos partir e não partimos nunca? Há quanto tempo sabemos que devemos mudar a rota e permanecemos no mesmo velho e seguro caminho? E quem garante que este caminho é seguro? Como saber que virando a esquina não teremos uma surpresa que nos fará mudar o rumo, sendo esta nossa vontade ou não? Não há garantias. Solte-se, pois este cordão ao qual está preso é apenas mais uma ilusão que você criou. Quem garante que você não está sozinho? Quem garante que tudo, absolutamente tudo não é uma criação da sua cabeça? Quem garante que algo disto aqui seja real? Ninguém, por mais absurdo que isto pareça. Não temos certeza de nada. Mas as pessoas não pensam sobre isso. Seria perturbador não é mesmo? Ao pensarem o sistema falharia. Por isto tantas regras, tantas limitações que guiam nossas vidas, nossos passos, delimitam nossos sonhos, desta forma, a ordem será mantida e ninguém sofrerá. Mas há aqueles que pensam, que sentem o vazio dilacerante que corrói suas almas. 

"Parece um absurdo e, no entanto, é a exata verdade, que se toda a realidade for vazia, não haverá mais nada de real nem de substancial no mundo além das ilusões." Giacomo Leopardi

:: Postado por Wild Star às 01h36

"Vivo esteticamente em outro. Esculpi a minha vida como a uma estátua de matéria alheia a meu ser." Fernando Pessoa

Olá. Prazer, meu nome é Isabella, mas pode me chamar de Bella. Conhecem-me por outro nome, outra vida, outra história. A verdade é que possuo uma identidade secreta, esta que agora se apresenta. Tirei a maquiagem para que possa me ver melhor. Olhe nos meus olhos, enxerga? Sim, esta sou eu, na minha mais pura forma e essência. Sou atriz. Fiz a escola da vida, tive os melhores professores, atuei ao lado dos melhores atores. Especializei-me em máscaras, feições, saber trabalhar as expressões. Convenço qualquer pessoa do que eu quiser convencer apenas com um olhar comovente, ou um sorriso maroto. Convenci a vida inteira todos de que apresentava a minha mais sincera identidade. Perdoe-me, mas os enganei. Saiba, no entanto, que antes, tive que enganar a mim mesma. Tive que convencer-me diariamente para aprender a convencer os outros. Olhe nos meus olhos novamente, não vê como sofro? Ou será que tento lhe fazer acreditar que estou a sofrer? Como saberá a verdade, é o que se pergunta. Basta saber que sou uma atriz e não uma mentirosa. Se vê a minha vida como um espetáculo, é apenas mais um mero espectador. Cansei dos espectadores da minha história, se querem ver arte, comecem a observar a partir de agora. Subo ao palco, apresento-me. Em breve inicio a obra da minha vida. Não se esqueça dos meus olhos. O nome não importa. Até breve.

"A arte consiste em fazer os outros sentir o que nós sentimos, em os libertar deles mesmos, propondo-lhes a nossa personalidade para especial libertação." Fernando Pessoa

:: Postado por Wild Star às 12h32

"Decidi-vos a não servir mais e sereis livres" Étienne La Boétie

Alheia a tudo e a todos, em um sala fechada e imensa, cheia de cabeças pensantes a discutir prospecções, pergunto-me como fui parar lá. Sinto-me sufocada, como se estivesse presa dentro de mim mesma, querendo gritar à espera de alguém me ouvir, à espera de encontrar alguém que me ajude a me libertar, alguém que me ajude a tomar uma decisão finalmente. Mas não encontro, pois me escondo. Não deixo perceberem que me sufoco, que anseio por liberdade, pois no fundo sou medrosa. Não tenho coragem de mudar o rumo, pois se assim for, terei que ser feliz, não é mesmo? E se eu não for? E se eu me frustrar e descobrir que aquele tão sonhado mundo só existia na minha mente de treze anos de idade? E se eu descobrir que tudo não passou de uma idealização, de um amor platônico que só era perfeito pois encontrava-se no mundo das idéias? Ao menos em meus pensamentos eu imagino a felicidade. E se eu descobrir que na realidade a felicidade não existe e que me iludi por anos? Não tomo uma atitude, pois tenho medo de ter passado o tempo, tenho medo de não estar certa, medo de não ser isto. E se não for, tudo aquilo que acreditei a vida toda, meu único sonho que sempre carreguei comigo, irá desmoronar com todo o resto. Mas então, minha vida já é uma mentira, como poderia eu ter medo de ilusões? Em uma máscara que moldei perfeitamente às minhas feições, convenço até a mim mesma de ser este perfil. Como vim parar aqui? Pergunta que não quer calar. Sou artista, pintora, escrevo poemas, leio Fernando Pessoa, durmo ouvindo música clássica, acredito no amor, canto, ensaio monólogos. A última das românticas, a poetisa boêmia. Quando vim parar dentro de mim mesma e me tornei minha própria prisão? Quando a insegurança me tornou carrasca de mim mesma? Boicoto-me, não me deixo ser salva, sei que só eu tenho a chave deste cárcere. Olhos me entreolham, perguntam-se, certamente, o porquê estou tão distante diante de suas palavras bem colocadas, das discussões embasadas para concluir a melhor estratégia. Olho para todos como se não existissem, como se tudo aquilo fosse um esboço, um sonho, um desenho surreal da minha mente perturbada. Olho através deles e aperto os olhos desejando que, ao abri-los, não estejam mais lá. Tenho vontade de me levantar, elevar a voz, agradecer pela presença de todos e partir, sem nunca mais voltar. Chego a imaginar suas reações. Em seguida pergunto-me o porquê me falta coragem. Sem respostas anseio pelo fim deste conluio, na espera de, longe dos olhos famintos, despir-me de mim mesma.

 Estátua Falsa

Só de ouro falso os meus olhos se douram;
Sou esfinge sem mistério no poente.
A tristeza das coisas que não foram
Na minha'alma desceu veladamente.

Na minha dor quebram-se espadas de ânsia,
Gomos de luz em treva se misturam.
As sombras que eu dimano não perduram,
Como Ontem, para mim, Hoje é distância.

Já não estremeço em face do segredo;
Nada me aloira já, nada me aterra:
A vida corre sobre mim em guerra,
E nem sequer um arrepio de medo!

Sou estrela ébria que perdeu os céus,
Sereia louca que deixou o mar;
Sou templo prestes a ruir sem deus,
Estátua falsa ainda erguida ao ar...

Mário de Sá Carneiro

:: Postado por Wild Star às 23h32

Quem sou

Wild Star
Menina-mulher
Sonhadora, romântica, idealista, amante das artes, do belo.
Buscando o desconhecido, o apaixonante, o envolvente, aquilo pelo qual se perde, sorri sem saber porquê.
Me conhecer? Estou tentando...

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