Teia do Desassossego


Imagine as possibilidades desta vida...

"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos." Saint-Exupéry

Sentir que não pertenço a este lugar, com uma freqüência cada vez maior e mais intensa. Definitivamente não pertenço a lugar algum. Desejo de partir, de sumir, para o lugar dos meus devaneios. Onde a luz do sol ilumina os meus dias, a paz reina. Seguir sem direção, sem rumo, ir apenas com o bilhete de ida, responsável apenas por mim mesma, pelas minhas atitudes, sentir o mais próximo da definição de liberdade. Deixar tudo para trás, sem fazer planos, sem criar expectaticas. Ilusão? Talvez. Medo da solidão? Um pouco. Tenho receio que os que amo confundam minha necessidade de não estar presa à falta de amor. É um risco que corro, esta é a minha natureza.  Até quando terei vontade de partir e permanecerei inerte? Até quando eu serei passiva e ficarei estática sem tomar uma atitude? Cansei da minha falta de coragem. Mas creio estar aí a minha beleza, na melancolia do olhar que deseja algo que nunca poderá ter, a tristeza presa à alma, como se me tivessem roubado algo que nunca tive, nem experimentei o gosto, ser livre. Sim, meu querido amigo, creio que você está certo. Estamos todos vendidos. A minha pergunta é, não devemos lutar? Não devemos, ao menos, ter esperanças? Pois isto ainda acho que me resta. Acreditar que um dia terei a (in)sana coragem de romper os laços, de cortar o cordão umbilical que me enforca a cada dia que passa. Não sei ao certo o que digo. Confesso estar me sentindo um tanto quanto confusa ultimamente. Tenho me questionado muito, questionado meus passos, minhas decisões. Não, nada está dando errado, pelo contrário. Analisando, tudo está tecnicamente perfeito. Talvez este seja o problema, tudo está técnico demais. Tenho sentido falta de pensar, de sentir, de decidir com o coração. Preciso de um tempo comigo mesma, sentir-me humana. Tenho sido racional demais. Onde estão os meus impulsos? Onde está a minha loucura, meu lado insano? Ou será que não que, desta maneira, tenho sido completamente insana ao permitir que minha vida siga este caminho traçado, onde não há tempo para mim, para os meus desejos. Sinto falta das atitudes repentinas, sem pensar nas conseqüências. Sinto falta da imprevisibilidade. Uma contradição, alguns diriam, já que eu mesma faço meus planos e os sigo à risca. Bem sei. Sinto-me corrompida pelo meio, como uma identidade que deixou de ser própria. Talvez tudo isso seja apenas fruto de um cansaço crônico... Tenho consciência de que preciso desligar um pouco, diminuir o ritmo, mas não sei se consigo. Já me habituei a essa rotina alucinante. Aonde isso vai me levar? Não sei. Por isso, tenho a vontade, quase proibida, de partir. Ao nascer perdi minhas asas, alguém as viu por aí?

"Só peço para ser livre. As borboletas são livres." Charles Dickens

:: Postado por Wild Star às 21h32

“Todos os homens se enganam, mas só os grandes homens reconhecem que se enganaram.” (Fontenelle)

 

Engraçado como pequenos acontecimentos tomam proporções gigantescas em nossas vidas e, de repente, nos fazem mudar todo o ângulo de visão, mostrando uma perspectiva antes nunca contemplada. O que tenho a dizer? Não sei. Tudo o que acreditava, ou pregava nos últimos tempos caiu por terra. Creio que pela primeira vez, em muito tempo, coloquei a mão na minha consciência e parei para analisar os fatos, meus planos, projetos, aspirações. Quem sou eu e o que quero da vida? O que espero? Complexo parece, não é? Muito. Ainda mais para uma pessoa como eu, que em certos aspectos sempre foi inflexível, arriscaria a dizer teimosa, não acreditando existir outro modo de vida certo se não o qual me impus. Então, volto a me questionar, o que quero da vida? Consumir ou ser consumida? O que quero, ainda não está muito claro, mas o que está sendo feito é bem nítido para mim e para todos que estão à minha volta. De maneira gradativa progressiva sou consumida, aos poucos, sem me dar conta. Já não sou mais a mesma, minha face, meu estilo, meu pensamento já não são mais os mesmos. Sou uma estranha para mim mesma. Ajo como se minha vida privada não existisse, ou melhor, como se vida privada e trabalho fossem a mesma coisa. Não são? Vivo para trabalhar. O trabalho, dizem, enobrece o homem. Será? O que diriam dos filósofos gregos que viviam na ociosidade, a filosofar sobre o mundo? Sim, é verdade que tinham escravos que se encarregavam de qualquer trabalho que não envolvesse o intelecto. Mas, deixaram eles a nobreza de lado, porque não trabalhavam? Claro, não podemos deixar de lembrar que nem todos os filósofos gregos eram abastados, estes pois, precisavam trabalhar. Mas se não precisassem, não o fariam certo? Viveriam na ociosidade a filosofar. Mas a que conclusão eu chego então! O trabalho não enobrece o homem, mas sim traz poder econômico, poder aquisitivo. Somos todos vendidos então? Sem dúvida, é o que me parece. Nos vendemos à publicidade barata, nos vendemos à posição social que poderemos alcançar, nos vendemos ao falso poder que possivelmente será adquirido. Alguns dizem que não estão à venda? Eu afirmo, estamos todos vendidos. A nossa tão sonhada liberdade nos comprou. Livres? Só seremos livres no dia em que não tivermos absolutamente nada. Enquanto isso estaremos eternamente tentando nos enganar, equivocadamente provando, a cada dia, que o trabalho enobrece o homem. Preciso de um antídoto. Ou de um veneno?

 

“Elimine a causa que o efeito cessa.” (Miguel de Cervantes)

:: Postado por Wild Star às 20h57

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