"A arte é o lugar da liberdade perfeita." André Suarés
Há exato um ano me senti perdida, como um náufrago em meio a alto mar. Na época me deparei com uma vida nunca antes planejada, e sim montada de acordo com a naturalidade do Destino. Então, após anos vivendo na inércia, questionei-me onde tinha deixado meus planos e sonhos, o porquê nada na minha realidade se parecia com eles. Percebi que tinha perdido o foco. O que resolvi? Que deveria voltar ao trajeto inicial, recomeçar a rota do ponto de partida, desta vez jogando pedras ao invés de migalhas para não me perder. Briguei, chorei, rompi com o mundo, mas a decisão estava tomada. Mas então, como um recém-nascido deslumbrado para a novidade do mundo, mais uma vez desviei o rumo e voltei para a já tão cansada e pisada estrada, entendi que também as pedras deixadas para marcar o caminho podem se perder de vez... No fim das contas a segurança da via certa chamou mais atenção. Porque não tentar novamente, e permanecer na antiga rota? Era a pergunta que não queria calar. Confesso que estava perdida com outros interesses também, o que tornou bem conveniente a idéia de não fazer mudanças bruscas. Desta maneira, cedi ao que a vida tinha até então construído para mim, com ajuda, é claro, da minha impassibilidade em relação a certos assuntos terrenos. Pois bem, assim foi. Para variar um pouco, troquei o que achava monótono por algo com mais movimento, eu diria. O casamento teve um início estonteante. Amor à primeira vista. Mas todo aquele que se envolve para esquecer uma antiga paixão, tem um relacionamento fadado ao fim. Não poderia pensar eu que esqueceria o sonho de uma vida assim, mudando os ares. É, parece que eu pensei isso sim. Onde eu estava com a cabeça? Essa é a pergunta da vez, que também não quer calar. Hoje, após um ano de ter optado pela inércia do caminho inato, percebo o quanto me enganei, mais uma vez.
Minha mãe costuma dizer que vivo com o pensamento longe, nas nuvens, diria ela, que me conhece por sonhadora e dramática. Alguém que conhece e vive a minha rotina talvez tenha uma impressão diferente. A grande verdade é: dou o meu sangue, quando se trata de certas matérias, mas sou muito sensível sim, como todo sonhador. Sou poeta, sou romântica, sou criativa. Adoro explorar a imaginação. Aonde estava eu com a cabeça quando consenti com a vida a me trazer para estes lados? Em que devaneios me iludi acreditando que sobreviveria em uma selva de pedras? Oras, mas eu não sempre me afirmei a "forte"? Sim, mas, creio eu, para estar forte é necessário estar bem! Não posso estar bem vendo meus sonhos e planos desmantelados, sem a menor sombra de esperança para aliviar essa dor. Como poderia manter-me forte se, diante do futuro incerto, não encontro crenças de que a névoa se desfaça?
Perdido o rumo, as esperanças e também a lucidez. Não sobrou nada? Ah, para os românticos há sempre o amor! Amor da minha vida que sustenta o meu corpo e a minha alma. Uma pena que não se viva só de amor.
"Dá-me veneno para morrer ou sonho para viver." Gunnar Ekelot
Quem sou
Wild Star
Menina-mulher
Sonhadora, romântica, idealista, amante das artes, do belo.
Buscando o desconhecido, o apaixonante, o envolvente, aquilo pelo qual se perde, sorri sem saber porquê.
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