Teia do Desassossego


Imagine as possibilidades desta vida...

"Os amores são como os impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem com ela." Milan Kundera em "A Insustntável Leveza do Ser"

Atire a primeira pedra quem nunca sofreu por amor, quem nunca teve seu coração picado em milhares de pedaços a se perder a conta, a se perder as esperanças de um dia juntar todos os pedaços novamente. Mas ainda que se junte, sempre ficará a cicatriz... E quantas cicatrizes não trazemos em nossos corações, não é mesmo? E se estamos vivos até hoje, não será mais uma cicatriz que irá nos matar, certo? Mas será, meus queridos - esta é a dúvida que paira no ar -, que existe um amor para toda a vida, que nunca irá nos despedaçar? Será que existe o amor verdadeiro, aquele que se lê em romances, aquele que se vê em filmes? Aquele amor sem o qual não se vive sem, recíproco, que ambos morrem sentindo um pelo outro? Ou melhor, será que o amor existe? Ou apenas não passa tudo de uma união de interesses, afinidades, gostos, entre pessoas que se identificam, se gostam e ficam juntas pelo tempo que lhes convêm? Será que na verdade o único amor verdadeiro a existir seria aquele que sentimos apenas por nós mesmos e, justamente por isso, procuramos pessoas que possam nos satisfazer, satisfazer nossos egos, que alimentem esse amor próprio? E quem poderá dizer? Claro, não podem esperar que após uma desilusão eu esteja crente no amor, no romantismo. Quanto maior a ilusão, maior a dor. Nem eu, a última das românticas, neste momento, posso crer que o amor existe. Por quê? Porque eu acreditei muito. Acreditei com todas as forças do meu ser, e quando dei por mim, a cortina se abriu e o meu amor se foi pelo rio. Sem que eu pudesse impedir, sem que eu pudesse contestar, sem que eu pudesse lutar, meu amor simplesmente se foi, acabou, morreu, como preferirem. Explico melhor, o meu amor eu estou matando (ou tentando matar), o amor que me foi me dado, este sim acabou sem explicações. Como é possível entender a inconstância do ser humano? Como me pedem para compreender a vulnerabilidade do outro ser? No máximo eu posso aceitar, já que não foi me dada outra alternativa, mas compreender, isto é uma tarefa difícil para um coração partido. Não posso entender aquele que do dia para a noite deixa de amar, aquele que um dia faz promessas eternas e no dia seguinte rompe os laços. Nós mulheres (e alguns poucos homens também) acreditamos nos contos de fadas. Acreditamos no amor eterno de uma pessoa só. Pudera, já que, desde cedo, ouvimos histórias e histórias sobre cinderelas e branca de neve, rapunzel. Histórias que ficam adormecidas em nosso inconsciente e que, por mais que queiramos não acreditar nelas diante deste mundo perdido, quando menos percebemos projetamos no outro a imagem do príncipe encantado. Então, lhes pergunto, de quem é a culpa? De nossas mães que contam estas histórias quando somos pequenas? Das mães de nossas mães que lhes ensinaram estas histórias quando eram pequenas? Do Walt Disney que popularizou estas histórias? Nossa que projetamos no outro a imagem do prícipe encantado? Ou do outro que se fez passar por príncipe encantado? Existe culpa quando falamos de amor (considerando a suposição de que o amor exista)? Para nada tenho respostas, e nem sei se quero tê-las, pois, se as tivesse, de que adiantaria? Meu coração deixaria de estar despedaçado? O tempo voltaria atrás e tudo seria perfeito novamente? Não, não vai. Fico então a velar minha perda, a chorar minha dor, até o momento em que as lágrimas sequem.

"Meu coração como um bocado de vidro quebrou-se. Quis viver e enganou-se." Fernando Pessoa 

:: Postado por Wild Star às 16h33

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Wild Star
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Sonhadora, romântica, idealista, amante das artes, do belo.
Buscando o desconhecido, o apaixonante, o envolvente, aquilo pelo qual se perde, sorri sem saber porquê.
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