"Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo." Luis Fernando Veríssimo
Tenho uma facilidade maior para me expressar através das palavras escritas do que pelas faladas. Estas, geralmente, causam uma falha de comunicação. O que eu digo geralmente não traduz o que eu quis dizer, o ouvinte, por diversas vezes, interpreta de forma diversa o que eu disse e tudo isto acaba em uma grande confusão.
Pretendo falar um pouco sobre alguns pensamentos meus. Alguns conceitos, algumas características de minha personalidade. Alguns poderiam ver como uma espécie de manual para me compreender - embora eu ainda esteja buscando um destes para mim mesma. Porque dou tamanha vantagem? Pois acredito que, às vezes, evitar conflito com alguns, realmente vale a pena de me expor.
Sempre fui muito fechada. Introspectiva, tímida, um enigma. Surpreendente? A mais pura verdade. Basta ver que só consigo me abrir através de um anonimato virtual. Quem lê esta página que de fato sabe quem eu sou? Poucos. Sempre tive uma dificuldade imensa de falar sobre meus sentimentos, sobre minha vida, meus segredos. Sim, tenho segredos. Tenho manias, tenho neuroses, tenho medos. Tenho fobias. Sou extremamente frágil, extremamente sensível. E ainda assim, tão forte. O que apenas reforça a idéia dos extremos que existem em uma pessoa só. Sou uma pessoa de extremos. Sim, sou. Exagerada, uso hipérboles em quase todas as frases. Sentimental. Sinto todos os sentimentos em fração de segundos. Pavil curto. Tenho meus surtos de vez em quando. Tenho minhas crises existênciais, sofro com o sofrimento do mundo, tenho a idéia de que devo carregá-lo nas costas. Sim, se existisse uma eleição para heroína do mundo, eu me candidataria imediatamente. Meu sonho é salvar a humanidade, por mais utópico e surreal que isto pareça. Sou melancólica pois sinto que nunca poderei fazer nada que cure as dores do universo. Não dói saber que enquanto escrevo estas singelas palavras crianças morrem em uma guerra injusta na África? Não dói saber que os seres humanos estão todos alheios a estes problemas, fecham seus olhos para não viverem uma crise de consciência? A mim dói, muito. Poucas pessoas entendem este meu lado humanitário e fraternal. Conseqüentemente, sinto-me extremamente incompreendida, sozinha nesta causa aparentemente perdida. O que me torna muito mais melancólica. À eterna espera de encontrar alguém que divida este sonho comigo.
Sou muito carinhosa. Amável, doce, preocupada. Gosto de cuidar, de dar atenção, de estar por perto. Alguns confundem meu bem querer com excesso de zelo. De forma alguma. Nunca tive a intenção, e nunca terei, de controlar a vida de ninguém, de querer saber dos passos, de querer ter satisfações. Não quero. Não me expliquem absolutamente nada, a menos que queiram dizer. O ser humano tem direito à sua liberdade, esta é a minha lei número um. Não serei eu a privar qualquer um deste princípio básico. Apenas sou alguém que se preocupa, gosto de ter a certeza de que está tudo bem, ao menos até o ponto onde eu possa fazer de tudo por alguém. Não poderia viver sabendo que uma pessoa sofre, está aflita, tem algum problema que eu poderia amenizar e não estou fazendo nada. Isto faz parte da minha alma. É claro, sei reconhecer quando me deparo com aqueles que não aceitam ajudas externas e respeito perfeitamente este choque de personalidades, não sou invasiva.
Sou manhosa, gosto de ser mimada, embora não seja uma garota mimada, no sentido pejorativo. Gosto de ser agradada, de ser cuidada. Sim, sou grandinha o suficiente para cuidar de mim mesma sozinha (acho que faço isto bem), e não quero nunca ser dependente de ninguém para viver, mas gosto de me sentir protegida. Quem não gosta? Como se eu fosse uma pedra preciosa que precisa de cuidados especiais. Não é capricho, é apenas algo que me faz sentir bem quista. Quem não gosta de se sentir querido?
Dou muito valor à vida, ao que conquistei, aos que estão a minha volta. Sou muito grata a Deus (caso ele exista) por tudo o que sou e a todos que de alguma forma contribuíram para que eu chegasse até aqui. Tenho consciência da vida maravilhosa que tenho. Uma família linda, tenho saúde, tenho beleza, tive uma ótima educação, considero-me inteligente. Ok, esqueceram da modéstia, mas ninguém é perfeito, certo? Sei como cada pessoa da minha história é especial. Espero estar sempre à altura de cada uma delas. Se sou o que sou com quem está à minha volta é porque sei como é incrível encontrar pessoas maravilhosas como eu encontrei.
Sou bastante tolerante. Extremamente flexível e surpreendentemente adaptável. Sei driblar situações que não são exatemente o que eu gostaria. Sei dançar conforme a música. Isto não me faz uma pessoa sem personalidade, sem vontade própria. Apenas sei ser diplomática, paciente. Mas tudo tem limite, não pisem no meu calo, nem façam me sentir uma tola, pois, neste caso, não tenho o menor problema em virar as velas e buscar novos ventos.
Sou muito sincera. Extremamente sincera. Minha maior qualidade e meu maior defeito. Não, não gosto de mentir. Esta é a única coisa que não tolero, que mintam para mim. Matem-me com a verdade, mas não deixem com que eu me sinta enganada. Não suporto a falsidade, a hipocrisia, a mentira. Por esta razão, duvidar de mim é algo que realmente me irrita. Óbvio que já contei minhas histórias, óbvio que nem sempre fui 100% verdadeira, mas apenas em casos onde a verdade era impossível de ser dita naquele momento. E até destas pequenas histórias eu não gosto.
Sou muito sociável. Adoro conhecer pessoas diferentes, entender o que pensam, porque vivem da forma de que escolheram. Adoro sair, ver gente diferente, ser vista. Estar bonita. Adoro badalar, dançar, ir ao cinema, teatro. Sozinha, acompanhada, com amigos, família. Adoro ter pessoas à minha volta. Gosto de ficar sozinha também. Tenho meus momentos. Gosto de meditar, de pensar, sem que me interrompam. Adoro conversar. Passar horas palavreando, filosofando, discutindo idéias, teorias, argumentar. Advogada, né? Amo as artes, ler, poesias, ouvir música.
Sou sonhadora. Artista. Acredito no amor. Sabe estes de Camilo Castelo Branco? Quero um dia estar completamente apaixonada e entregue por alguém que sinta o mesmo por mim. Talvez isto só exista nos romances que li. Sinceramente, duvido. Tenho certeza de que este nobre sentimento existe. Mas não sou uma pessoa facilmente apaixonável. Nunca fui. Não pronucio a palavra amor levianamente. Não entrego meu coração de repente, a não ser que eu realmente seja conquistada. Tive minhas desilusões, tive meu coração partido, magoado, sei como dói. Desta forma, guardo muito bem a sete chaves algo que é tão precioso. É preciso ser verdadeiro e merecer para que eu dê a chave deste cofre.
Não quero prender ninguém, pois nunca aceitarei que me prendam. Não gosto de pessoas que me controlem, que sejam minha sombra, que tenham minha agenda. Assim, não tenho este tipo de comportamento com ninguém. O que seria da borboleta não fossem suas belas asas a mostrar suas cores ao mundo? A liberdade daqueles que têm asas. Certa vez perguntei qual o limite da liberdade. O meu é o respeito. Sou livre, mas nunca faria nada que não gostaria que fizessem comigo. Nada que pudesse desrespeitar ou magoar. Sei como é difícil conviver com outros seres humanos. Por natureza somos individualistas. Acredito que isto só é possível se soubermos entender e dar o espaço de cada um.
Conheço meus defeitos e minhas qualidades. Tento amenizar todos os dias o que tenho de ruim e aumentar o que tenho de bom. Não sou perfeita. Mas hoje certamente sou melhor do que fui ontem.
"Tudo vale a pena se a alma não é pequena." Fernando Pessoa
:: Postado por
Wild Star
às
20h21
"O futuro é o período de tempo em que prosperam nossos negócios, nossos amigos são verdadeiros e nossa felicidade é segura." Ambrose Bierce
O futuro não existe. Não se iludam. A vida é o nosso presente e o que fazemos dele a cada instante. E então, o que tenho feito dele? Passado horas, dias, semanas, meses trancada dentro de uma jaula a 18°C. Uma nebulosidade me confunde. Não entendo como as coisas chegaram a este ponto. Não tenho tempo para pensar nisto, quanto mais para entender. Não me questionem, não há tempo para divagações. Sinto-me perdida, presa, sufocada, sozinha. Completamente sozinha. Alguém entende o que eu digo? Alguém ouve as minhas palavras? Ou será que estou criando imagens de seres humanos que se comunicam comigo, quando na verdade estou só e delirante, presa neste cubículo? Mas espere, a jaula não está trancada! Ela abre. Posso me levantar e sair livremente. Agora tudo fica mais claro. Não, não fui colocada aqui, eu mesma entrei, com minhas próprias pernas. Quando? Faz tanto tempo, já nem me lembro mais. Sinto como se sempre estivesse vivido aqui. Será que sim? Por que motivo nela permaneço? Estarão me observando? Talvez eu esteja sendo monitorada. Certamente estou. Ao contrário, porque teríamos todos siglas? Somos todos números cadastrados, combinações imperfeitas para exercerem perfeitamente suas funções. Somos especialistas. Em quê? Em fazer com que o sistema continue fluindo perfeitamente. Fallhas? Os imperfeitos são eliminados. Não há espaço para erros. Afinal de contas, somos todos substitíveis. Não há função que exerçamos que não possa ser repassada para outro. Não há nada que façamos que seja único, exclusivo, impraticável por outro. Perguntariam os mais loucos "Mas e se Monet estivesse vivo? Ele seria substituível? Ou Shakespeare, Mozart? Seriam eles substituíveis? Ah, meu querido, os tempos já foram outros, então falamos de artistas, de seres humanos à moda antiga, que sentem, sofrem, que se sabem imperfeitos. Não ouso falar deste tipo em extinção. Aqui falo desta nova geração, dos técnicos em viver, das máquinas de trabalho, estes que se auto-entitulam workaholics, seja lá o que isso for. Os que não perdem tempo com leituras de poemas, ou com filmes antigos, com namoro à beira da praia, imagine então com conversas jogadas fora em mesas de bar... Tempo é dinheiro, meu querido, e a não ser que estejamos vivendo pra ele, viver não vale a pena. Você acha triste? Não sejamos hipócritas. Qual a última vez que vivemos pra valer? Quer uma pergunta mais difícil? Qual a última vez que disse "eu sou feliz" e que este estado de felicidade tenha durado um certo tempo? Há quanto tempo não sabemos o que é passar alguns dias sem preocupações ligadas ao trabalho? Há quanto tempo não conseguimos dormir tranquilamente por horas e horas seguidas e acordar sem pensar que vamos ter um longo dia estressante pela frente? Chega de enganarmo-nos. Não somos mais crianças, embora eu insista em querer viver na Terra do Nunca em companhia do Peter Pan. Sei que a vida é feita de escolhas e que escolhemos esta vida. Mas será que então ficamos cegos? Creio que sim. Ao menos eu fiquei. Já não enxergo o mal que a mim mesma faço. Já não enxergo que eu poderia ser feliz e celebrar a minha felicidade. Fui absorvida pelo sistema. Como viver fora dele? Não sei. Vivi presa e não vejo perspectivas de aprender a voar. E se eu aprender, para onde eu iria? Sinto-me tão só e incompreendida. Não poderia exigir que entendessem esse devaneio. Existe esperanças? Sempre existe a venenosa esperança não é mesmo? Esperança de que o futuro seja melhor. Mas espere! O futuro não existe! E eu lhe pergunto: o que temos feito do nosso presente?
"O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente." Mohandas Ghandi
:: Postado por
Wild Star
às
22h49
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Wild Star
Menina-mulher
Sonhadora, romântica, idealista, amante das artes, do belo.
Buscando o desconhecido, o apaixonante, o envolvente, aquilo pelo qual se perde, sorri sem saber porquê.
Me conhecer? Estou tentando...
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