"O homem é um ser que criou a si próprio ao criar uma linguagem. Pela palavra o homem é uma metáfora de si próprio." Octavio Paz
A socialização de si mesmo. Estranho processo, não? E então, necessário. Como se fosse absolutamente imprescindível nosso contato com o outro, na eterna esperança de neste encontrar algo, alguma espécie de semelhança que nos prove que não somos únicos, que não estamos só. Uma forma de conexão que dê algum sentido para toda a nossa existência. Algum tempo atrás eu acreditava que a comunicação era uma expressão individualista e egoísta para satisfazermos nosso desejo de fugir da solidão e então de nós mesmos. Somos capazes de viver sem a existência do outro. Mas então, hoje vejo sob uma perspectiva levemente diferente. Tentamos nos especializar em traduzir o outro, buscando neste elementos de intersecção, trata-se de um mecanismo da própria sobrevivência. Mas no fundo sabemos que estamos todos sozinhos nesta imensidão de corpos e mentes perambulantes. Sabemos que somos todos incompreensíveis uns aos outros e que, mesmo quando nos entendemos, na realidade fazemos um grande esforço para nos fazer compreender, algumas vezes de uma maneira mais, outras de uma maneira menos diplomática. Tentamos impor nosso Eu interior como se o outro tivesse todos os elementos para nos decifrar. Não têm, nao temos. Não estamos dentro do outro e não estão dentro de nós. Por isto tantos conflitos, desentendimentos, dúvidas intermináveis. Ainda assim, insistimos nas semelhanças, ignoramos as diferenças, sufocamos nosso individualismo para mesclarmo-nos, tornarmo-nos um só e, assim, nos entendermos. No entanto, quando nos transformamos em uma mistura formada a partir de elementos extrínsicos, perdemos nossa identidade. Neste momento, vivenciamos o ápice da solidão.
"Por mais que busquemos, apenas nos encontramos a nós próprios." Anatole France
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Wild Star
às
14h47
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