Teia do Desassossego
Imagine as possibilidades desta vida...
"Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que foram, vamos ficando sozinhos uns dos outros." Mário Quintana
Eu nunca me senti tão só.
Sempre achei que crescer era um processo natural da vida. Talvez seja. Mas vejo que cresci rápido demais. Então, pela primeira vez sinto-me menina e muito desamparada, com muito medo, perdida. Sinto-me órfã sem o ser. Acho que vivi o processo inverso. Quero colo, quero sentir-me protegida, quero que passem a mão na minha cabeça e me digam que tudo vai ficar bem, não importa o que aconteça, pois não estou só. Sinto como se existisse apenas eu no mundo. Sinto-me invisível, intocável, incompreendida. Não sentem minha angústia, não sentem meu medo, meu desatino. Uma estrangeira recém chegada em uma terra desconhecida e inabitada.
Está cada vez mais difícil viver esta vida dupla. As horas frias intermináveis estão me sufocando. Tenho vontade de gritar, despir-me com os dentes, ficar nua e dizer ao mundo: "Esta sou eu". Gostem ou não, pouco me importa. Mas vejo que me importa sim. Estou sempre buscando por aprovação, apoio, justamente para tentar não me sentir desamparada, para me sentir amada. Mas ninguém pode viver minha vida, não é mesmo? Ninguém pode me garantir que tudo ficará bem, que estou seguindo o caminho certo. Ninguém pode sequer garantir que não estarei eternamente só.
Nunca quis ser gente grande. Os adultos são tristes. Alguns sabem disto, outros não. Se pudesse, viveria na Terra do Nunca. Coloquei a máscara de responsável, séria, perante todos. E agora, tento tirá-la, mas como por maldição, ela insiste em ficar. Esta não sou eu.
Sou uma criança em corpo de adulto. Nunca doeu tanto ser eu.
"Ser adulto é estar sozinho." Jean Rostand
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Wild Star
às
23h24