"Todos nós nascemos loucos. Alguns de nós permanecem." Beckett
Estado de loucura. A loucura é um excesso de espírito. Cada um de nós é um universo pensante, distintos, com todos os sentidos, sentimentos, emoções orbitando. Um universo que só nós conhecemos e do qual só nós podemos participar e assim criar a nós mesmos. Cada um de nós tem a sua realidade interior. A música é o som divino primitivo, que nos remete às nossas origens. A música, como a loucura, transcende todo e qualquer limite, é infinita, como nossos "Eus". A música surge como um chamado do universo interior, brota como um reflexo do nosso Eu querendo se comunicar e ser compreendido. Primeiro vem o silêncio, conectamo-nos a nós mesmos, transpomo-nos solitários para nosso universo paralelo, onde encontramos nossa própria melodia, nossa voz harmônica com nosso estado de espírito. Encontramo-nos. A música do silêncio interno. Depois vêm a música da paisagem sonora, do outro, os ruídos do cotidiano, que se mesclam unindo as realidades internas e externas interagindo mundos que transcendem espaço e tempo. Conectamos um com o outro, numa busca desesperada de identificação, de nos sentir pertencentes a algum lugar em comum, de encontrar uma intersecção de realidades, a fim de não sermos loucos únicos, ainda que nos saibamos solitários. Buscamos a intimidade e a distância, pois ambas são necessárias. Chegamos a um paradoxo. Precisamos manter nossa individualidade, rompemos. Ao mesmo tempo comungamo-nos com a coletividade, dividindo nossa mais profunda loucura, enlouquecemo-nos. Vemo-nos pelos olhos do outro, a imagem que temos de nós mesmos é a imagem refletida no espelho do olhar do outro. Talvez os loucos sejam um grupo seleto de pessoas privilegiadas que se conectam, incompreendidos, numa condição de passageiros eternos, sem destino e de origem ignorada.
"True! - nervous - very, very dreadfully nervous I had been and am; but why will you say that I am mad? The disease had sharpened my senses - not destroyed - not dulled them. Above all was the sense of hearing acute. I heard all things in the heaven and in the earth. I heard many things in hell. How, then, am I mad? Hearken! And
observe how healthily - how calmly I can tell you the whole story." Edgar Allan Poe
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Wild Star
às
14h52
"Eu sou aquela que tomam, depois cortam, mas por um momento eu estive ali, no olho do visor. Existi. Sei que pertenço ao público e ao mundo todo, não por causa do meu talento, nem mesmo de minha beleza, mas porque nunca pertenci a nada, nem a ninguém. Quando não se pertence a nada, a ninguém, como não pensar: pertenço a quem me quiser!" M.M.
Quem disse que não quero ser amada? Quem disse que não quero ser protegida? Vejo-me uma pequena criança órfã e solitária sempre em busca de sobreviver neste mundo frio. Perdida, sem lar, sem amor. Mas apesar de todas as adversidades meu coração não perdeu a ternura, nem a doçura, nem as esperanças. E sofre. Que mulher não gostaria de ser abraçada e se sentir protegida em braços amados? Se sentir segura? Cansei de ser só. Cansei de vestir a máscara da fortaleza. Também preciso de cuidados. Também tenho sentimentos. Sou frágil.
Um dia Deus olhou para a Terra e viu sofrimento, dor, choro, mágoa, angústia. Viu seres humanos perdidos, sozinhos, sem rumo. Ao seu lado havia um anjo, cuidando de seu jardim. Refletiu sete dias, olhou para o anjo e disse "Vai Kraliha ser anjo na Terra". E assim nasceu. Aqui teve um nome pronunciável. Começou como todos, foi pequenina também. Mas como anjo, não teria o direito de ser criança. Aprendeu desde cedo que as pessoas sofrem. Não importa se a dor é suportável ou não, ninguém deixará suas vidas para socorrer o outro. Ainda pequena descobriu a dor do abandono. Anjos sem asas, quando anjos no céu, não conhecem as aflições e sentimentos humanos. Por isto, Deus em sua infinita sabedoria, colocou-a em contato com o que há de mais triste para o homem, a perda, a solidão, a incompreensão, a não valorização, o descaso, o abandono. Anjos têm uma alma diferente, pura, vêem o mundo com olhos de anjos. Querem trazer paz e não são compreendidos. Um anjo sem asas precisa ser muito mais forte para ser útil. Para existir precisou conviver com a mais ínfima miserabilidade humana. Aprendeu que o ser humano é individualista, que começou uma guerra pelo seu próprio bem estar, travada com qualquer um que esteja próximo e ameace hipoteticamente o seu espaço. Descobriu que não importa o quanto se esforce, raramente darão valor aos seus sacrifícios e tudo será visto como mera obrigação. Um anjo não pode se dar ao luxo de pensar em si mesmo, em seus sentimentos, anjos não podem ousar sentir. Imaginem então como é confuso para um anjo sem asas se adaptar a esta nova forma de vida. Anjos têm missões, não importa quão difícil seja cumpri-las, quão doloroso seja estar perto de alguém para salvá-lo, assim deve fazê-lo. Um anjo não poderia se apaixonar, mas se apaixona. Ser anjo não é uma tarefa fácil. Por que então não desistira de ser anjo? Não se pode deixar de ser quem se é. É difícil entender os seres humanos, conviver com os mesmos sentimentos que eles têm, quando se é de uma natureza tão diferente.
" (...) Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco. (...)" Drummond
:: Postado por
Wild Star
às
15h24
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Menina-mulher
Sonhadora, romântica, idealista, amante das artes, do belo.
Buscando o desconhecido, o apaixonante, o envolvente, aquilo pelo qual se perde, sorri sem saber porquê.
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