"Porque foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, Penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem." José Saramago
Nascemos e choramos. Abrimos os olhos e exergamos. Vimos o mundo como ele realmente é quando a ele viemos. Sem películas, sem redomas, sem máscaras. Com o passar do tempo as luzes vão nos ofuscando a visão, aos poucos deixamos de enxergar. Olofotes. Informações inúteis jogadas em nossos dias. Focos desfocados. Imagens. Mensagens subliminares. Propagandas anúncios outdoors. Símbolos. Carros buzinas trânsito. Tempo tempo tempo. Falta de tempo. Listas de compras. Listas de sonhos. Desejados não realizados inúteis. Desejos. Filas. Consumo. Filas. Luzes na cidade iluminando nossos dias apagando nossa consciência. Dualidade do ser. Divisão. Confusão mental. Terapia. Choro contido. O homem feliz não sofre. Zen. Busca pelo equilíbrio em day spas. Álcool pra relaxar. Stilnox pra dormir. Café pra acordar. Corre corre corre. Não há tempo. Tem pressa sempre atrasado. Tempo tempo tempo. Falta de tempo. O dia deveria ter 36 horas, pra se fazer tudo, se fazer mais, trabalhar mais, se divertir mais, consumir mais o tempo. Não ter tempo pra enxergar. Luzes na cidade. Menos. Escuridão. Tempo consumado. Vida consumida. Perda de tempo. Querem que não enxerguemos, querem que vivamos cegos. Quem "querem"? Não existe essa entidade absoluta e invisível que comanda nossas vidas. Somos nós mesmos que optamos por não enxergar. As luzes atrapalham, mas não cegam. Nós mesmos optamos por viver na escuridão a enxergamos criticamente o mundo tal como está. Somos responsáveis pelos nossos atos. O caos na cidade. Olhos perdidos sofridos. Prédios mais prédios, grudados uns aos outros, abarrotados de pessoas desconhecidas entre si que convivem e se evitam. O ser humano não se suporta e então foge de si mesmo, mas também não suporta o outro, vive relações superficiais, sem querer conhecê-lo a fundo, nem sequer conhece a si próprio. Construir é difícil, leva tempo, paciência, cuidado, zêlo, amor. O amor está em falta. Para que a construção não deteriore é preciso cuidar dela todos os dias. É mais fácil destruir. Destruir-se. Destruir o outro, destruir relações, destruir o planeta. Não há tempo para construções. A nação do fast food, fast jobs, fast relationships, fast life. Otimização do tempo, este é o lema. A vida passa e ninguém percebe. A vida não deve ser dolorosa, deve ser real. Há tempo para mudanças. Há tempo para nos conhecermos, para conhecermos o outro. Há tempo para amar e se relacionar. Há tempo para acreditar e ter esperanças. Apaguem as luzes, abram os olhos e exerguem. O tempo não está em falta, mas ele acaba.
"Devemos nos tornar aquilo que desejamos ver." Ghandi
:: Postado por
Wild Star
às
00h18
"A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente." Albert Einstein
O que é real? Aquilo que é palpável, visível? Conceito falho, ainda mais se levarmos em conta que podemos ser enganados pelas nossas mentes. Indo além, aquilo que é real para mim pode não ser real para o outro por que somos distintos, o que nos leva a percepções diferentes do mundo. E então, não importa o quanto tentemos nos socializar, seremos sempre solitários, pois cada um carrega sua própria realidade, ainda que nos esforcemos para vivermos em sociedade através de comunidades, grupos, família. Certamente pouquíssimas pessoas param pra pensar nisto, pois, ao constatar este fato, assumimos o ápice da solidão. Viver é um caminho solitário, ainda que busquemos companhias no meio do caminho. E, podemos cruzar com as mais interessantes pessoas ao longo do dia, ter as conversas mais filosóficas, ao final da noite, quando deitamos a cabeça em nossos travesseiros e fechamos nossos olhos, somos nós com nós mesmos, não há como escapar. Estar consigo mesmo é uma dádiva (ainda que muitos discordem), encontrar em si mesmo sua melhor companhia, debater consigo próprio seus ideiais; mas juntamente com estes, surgem seus maiores fantasmas, suas maiores angústias e encará-los sem titubear é tarefa árdua. Talvez por isto grande parte das pessoas busque subterfúgios para se esconderem de si mesmas. Conversas superficiais estão à venda em qualquer bar da esquina e, caso não seja uma pessoa sociável, à farmácia encontrará, por míseros reais, cápsulas de felicidade que ajudem a fugir da realidade. É mais fácil. Difícil é encarar a dor de se saber humano, aflito, perdido, sem saber se está caminhando para o lado certo, sem saber se um dia encontrará alguma resposta, sem saber se de fato isto que vive acontece ou não. Sofrer por caminhar à eterna espera de encontrar alguém que pense o mesmo, que seja inquieto tanto quanto, que esteja ao menos caminhando na mesma estrada e no mesmo rumo, disposto a compartilhar a jornada, pois assim, o mundo pareceria menos insano, mais humano, mais real. Difícil definir a sua própria realidade quando ninguém a compreende e, ainda que não precise da aprovação dos demais para vivê-la, a própria sanidade chega a ser questionável algumas vezes. Não é simples se defender como certo, quando as únicas vozes que ouve além da sua são os ecos.
"Nos escritos de um eremita se ouve também um quê do eco do deserto, um quê do que é próprio da solidão." Nietzsche
:: Postado por
Wild Star
às
23h54
Quem sou
Wild Star
Menina-mulher
Sonhadora, romântica, idealista, amante das artes, do belo.
Buscando o desconhecido, o apaixonante, o envolvente, aquilo pelo qual se perde, sorri sem saber porquê.
Me conhecer? Estou tentando...
Meu Humor
Links
::
Post Scriptum
::
Aprendendo a Voar
::
Alencar
::
bolkonsky
::
High Fidelity
::
Phoenix
::
Malandricus
::
Philipe Marsuli
Gostou? Venha me vistitar de vez em quando...
Votação
..:: INDIQUE ESSE BLOG ::..
Visitas
Créditos
..:: Carmem Design ::..
Todos os direitos reservados ©